12 de novembro de 2013

Prostituição - A História


 A prostituição nem sempre foi desprezada e criticada como em nossos tempos. 
     Uma prática que existia desde a antiguidade, algo digno e que existia até mesmo dentro dos templos. Lins (2007: 249) salienta que “mulheres respeitáveis faziam sexo com o sacerdote ou com um passante desconhecido, realizando  assim   um  ato  de  adoração  a  um   deus   ou deusa”.    Acrescenta  ainda  que “as prostitutas eram tratadas com respeito, e os homens que usavam seus serviços lhes rendiam homenagens. Acontecia também de as próprias sacerdotisas serem as prostitutas”. 
     Tudo isso para favorecer a fertilidade da terra e uma maneira de louvar os deuses.


     O meretrício passou a ser comercializado depois que os templos foram fechados com a chegada do Cristianismo. “A prostituição individual, hoje tão comum, era exceção. A maioria das mulheres vivia em bordeis e casas de banho”. As mulheres entravam para a prostituição por causa da pobreza, inclinação natural, perda de status e até mesmo por pressão familiar. Os fregueses eram encontrados nas tavernas, praças, casas de banho e ate mesmo nas igrejas.


     Mesmo com a condenação da igreja e todo seu rigor, as relações extraconjugais e pré-maritais eram muito usuais. Para os homens, era uma maneira de “afastá-los da homossexualidade” e desestimulá-los da prática do estupro. Os jovens assim tinham assim a oportunidade de “afirmar sua masculinidade e aliviar suas necessidades sexuais”. 


     A importância da prostituição era tamanha na dinâmica da sociedade que o rei Carlos VII da França reconheceu a necessidade dos serviços oferecidos pelos bordéis autorizando a presença destas casas de tolerância. Freqüentadores que não eram apenas jovens no auge de suas puberdades, mas também clérigos. Richards, (1993: 123) analogamente diz que “a prostituta na sociedade e como a esgoto no palácio. Se retirar o esgoto, o palácio inteiro será contaminado”.


    Tentativas existiam para controlar e organizar a prostituição. A igreja incentivava as mulheres a não se prostituírem mais e constituir família. A verdade é que a esta altura, a prostituição já era uma realidade na sociedade, entre as pessoas, algo consentido, à vista para quem quisesse.


    Esta é uma época marcada pelas chamadas “costureirinhas”, em que mulheres que não querendo fazer parte da classe operária, preferem prostituir-se. Importante ressaltar que neste mesmo período, a sífilis, doença que aterrorizava as pessoas, propagava-se cada vez mais. Lins, (2007) cita ainda Hitler que, “impõe em 1935 a lei que torna obrigatório o exame pré-nupcial, proíbe o casamento de homens com doenças venéreas e lhes impõe a esterilização pela castração”. Surge a sifilofobia que é o pavor da sífilis.


Com a liberação nos anos 60, imaginou-se que a prostituição sucumbiria a satisfação sexual, pois o sexo agora era permitido e supostamente, os homens não teriam mais necessidade de buscar tais serviços. Mas nada disso ocorreu, a prostituta saiu daquela imagem de mulher sofrida para ser uma mulher jovem, bonita, e bem vestida. A mídia passa a divulgar como nunca a prostituição e os homens, mesmo bem em seus casamentos, bem-sucedidos continuavam a se relacionarem com prostitutas. Por quê? Para começar a responder esta pergunta, recorro a Chiland, (2005: 112) em que argumenta que “existem homens que são impotentes com as mulheres que eles esti¬mam e respeitam, a exemplo da mãe e das irmãs, e só conseguem cumprir o ato sexual com prostitutas”. É uma realidade clínica cuja importância Freud viu bem para a compreensão da psique; a clivagem entre a madona e a puta está sempre prestes a surgir ou ressurgir no homem. Mas não são os clientes, mais numerosos das prostitutas.


       E a autora acrescenta ainda que “o apetite polígamo do homem se satisfaz recorrendo a uma prostituta ocasional ou regular. Ou as prostitutas lhe trazem "satisfações especiais" que ele não ousaria pedir à sua mulher, ou que ela lhe recusou felação, coito anal, práticas sadomasoquistas. Perversão e prostituição estão implicadas. Na prostituição, os beijos não fazem parte do contrato, em que cada parte do corpo, cada buraco, cada especialidade são tarifados”. (Ibidem)


      Parece-me que então, os homens buscam o sujo, o vulgar e o obsceno, o qual só obtém somente com a prostituta, que é aquela que está corrompida aos conceitos morais e éticos de uma sociedade. É aquela que permite-se e vai possibilitar ao sexo em todos os termos e de todas as formas. A impressão que tenho é que a prostituta carrega a essência da contravenção.   Vejamos a citação abaixo:
     Com a prostituta, o homem se sente livre para fazer o que deseja no sexo, do jeito e da forma que quiser e quando tiver vontade. O pagamento em dinheiro o livra de qualquer outro tipo de dívida. Não precisa se preocupar com o que a mulher deseja, se está agradando ou correspondendo as suas expectativas. Não há nenhuma cobrança. Se ela tem ou não orgasmo não é problema dele. Não precisa fingir que está apaixonado ou que vai procurá-la novamente, nem precisa pensar numa desculpa quando ela lhe telefonar. Isso nunca vai acontecer. Mesmo sendo um prazer individual, as regras não deixam dúvidas e ninguém esta sendo enganado. (LINS, 2007: 257)


    Como percebemos ao final da citação, existem regras, portanto. As profissionais exigem o uso do preservativo dos clientes, assim como algumas outras imposições. Algumas não fazem sexo anal entre outras coisas.


     O tempo do pseudo-puritanismos e dos falsos-pudores acabaram. Hoje o que existem é um culto ao narcisismo, a uma exacerbação da individualidade e da auto-suficiência. “´Conheça-te a ti mesmo' e 'Ama-te' são as duas condições prévias para qualquer valorização do ego”.


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