16 de janeiro de 2014

Emoções e a Cultura

Categorizações das Emoções

Diferentes culturas ou grupos sociais usam diferentes termos para descrever e relacionar o imenso e variável número dos fatos da vida, entre estes, os estados emocionais do ser humano. Acredita-se (não examinei) que há cerca de 2.000 palavras descrevendo emoções em inglês, embora menos de 200, são usadas pela maioria das pessoas. Em contraste, um pesquisador encontrou somente 58 palavras usadas pelos Ifalukanos da Micronésia (Pacífico equatorial), para referir aos estados emocionais ou internos transitórios. Um terceiro estudioso do assunto encontrou apenas sete palavras entre Chewong da Malásia que podiam ser traduzidas para o Inglês, descrevendo estados emocionais. Um outro pesquisador ainda encontrou alguns estados que são descritos regularmente pelos falantes ingleses, que não têm termos análogos em muitas outras culturas. Por exemplo, em algumas línguas africanas, a mesma palavra é usada para descrever “raiva” e “medo” como se descreve em inglês. Já os aborígines Gidjingali da Austrália não discriminam “medo” de “vergonha”.


As emoções prototípicas (exemplares) orientadoras, que jogam um papel central nas descrições ocidentais (assentadas nos nossos paradigmas) de psicopatologia podem estar inteiramente ausentes em determinadas culturas. Não se encontrou nenhuma palavra para depressão em muitas culturas não-ocidentais, e nenhuma palavra equivalente à ansiedade entre os Esquimós e os Yorubas.


Mesmo existindo diversas palavras, como “depressão” e “ansiedade”, entre os japoneses, os estudos mostram que elas expressam, diferentes significados comparados com termos equivalentes aos da língua inglesa. De outro modo, a palavra pode ser traduzida de uma língua para outra, mas os sentimentos “verdadeiramente sentidos” são outros. Daí se conclui que não podemos mesmo concordar com uma “pancultura” acerca do significado das expressões faciais como iguais para todos.


Para decifrarmos a expressão de um tipo de emoção num local precisamos conhecer a cultura que provoca uma ou outra expressão facial diante do medo, raiva, vergonha etc. Os japoneses e americanos expressam de modo semelhantes às situações descritas como “surpresa”, ou “tristeza”, mas não se assemelham quanto às expressões faciais relativas ao “medo” e a “raiva”. Por outro lado é encontrada certa concordância quanto aos estados emocionais internos do organismo (as respostas do organismo) num e em outro grupo cultural.

Sociedade e Cultura - Novas Ideias

Tem sido descrita uma minoria de culturas que não possui uma única palavra para “emoção”; a maioria delas tem descrições emocionais idiossincráticas, como por exemplo, um falante árabe pode não entender a noção de “frustração”, bastante comum para nós.


Certas culturas têm muitas variantes para uma emoção e, ao mesmo tempo poucas para outra. Tudo isso levanta a dúvida da existência para reivindicar estados e medidas emocionais universais. Como as variações culturais são tão grandes, essa tarefa parece ser condenada ao fracasso.


Mas as escalas para medidas de emoções estão aí para serem usadas em todas as partes e são muitos os acreditam nelas e as utilizam sem a menor crítica; esses imaginam que a cultura deles é a única correta, as outras estão erradas.

As pesquisas mostram que o mesmo padrão de atividade autônoma fisiológica e facial foi interpretado como emoções diferentes, ou mesmo não-emoções, pelos Americanos comparados como os Minangkabau.


Os conceitos expressos pela linguagem natural constituem uma mistura de culturas universais e específicas, em estilos que são difíceis para desembaraçar. Assim, o termo “mehameha” é uma palavra Taitiana significando “medo de fantasmas”; para os brasileiros o termo “Fantástico” (o que só existe nas fantasias, falso ou fora do comum) é o de um programa de TV, nesse último, nem todos que aparecem são fantasmas. Os homens que criaram conceitos como “fantasmas” não tinham maquinaria científica para escapar desses entes inexistentes fisicamente, entretanto, até hoje, muitos continuam a ter medo de fantasmas, alguns poucos, privilegiados ou não, já tiveram contatos com eles.


Há fortes indicações da grande semelhança entre as diferentes culturas quanto aos dados crus subjacentes à categorização; não obstante as diferenças existem, podendo ser essas importantes para a categorização de cada língua particular. Por exemplo, na língua Taitiana não há nenhuma palavra para traduzir a palavra “triste”. Um taitiano abandonado por sua mulher e filhos, tornou-se tão doente que foi necessário procurar a Medicina tradicional. Esse paciente, durante a consulta, não fez nenhuma conexão entre seu estado mental e físico; Para nós, as suas queixas estaria relacionado às emoções pela perda da mulher e dos filhos. Entretanto o paciente reclamou apenas que não se sentia “bem” e estava “sem energia”. No Brasil, certos homens são incapazes de contar, inclusive para si mesmos, que estão com medo de passar caminhando no Túnel da Lagoinha de madrugada, pois homem que é homem não tem medo; outros não contam que choram, ou se sentem tristes por terem sido abandonados pela namorada ou esposa.


Essa diferença de nomes e de sentimentos de uma cultura e de outra não é tão estranho assim. Uma hipótese análoga ou semelhante a essa é a existente quando um grupo de pessoas olha para um mesmo objeto; cada indivíduo poderá percebê-lo de modo diferente. Segundo um observador o objeto é uma mesa; para outro, pode ser um altar sagrado; um outro ainda a denominará de peça de antiga, ou também, alguma objeto para se esconder de alguém, ou mesmo, uma madeira para ser queimada, um bom porrete para agredir ou se defender. Cada percepção irá depender da categoria que está sendo usada e disponível para os propósitos do observador e rotulador num certo momento.

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